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Mosteiro de Alcobaça
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Sobre
o que se diz sobre doces portugueses com nomes de santos e anjos, e
não só, são denominados "Doces Conventuais", exatamente por terem
"nascido" nos Conventos. Os Conventos ou Mosteiros, a maior parte
deles fundados por reis e príncipes (para além dos instituídos por
autoridades clericais), eram por eles dotados de foros, mercês e
padroados que lhes garantiam subsistência abastada e farta, até
1834, data da extinção das ordens Religiosas em Portugal.
Os conventos acolhiam nas suas Regras as filhas da nobreza e das
famílias mais ricas que, além dos seus dotes de importantes rendas,
traziam consigo hábitos de alimentação e receitas familiares que
deram a origem a requintadas preparações gastronômicas e a doçaria
rica e por vezes complicada.
Guardados ciosamente
os segredos das composições e dos métodos de preparação, as receitas
eram propriedade do convento que as freiras se comprometiam a
ocultar toda a vida.
É claro que sempre aconteciam algumas "fugas de informação",
especialmente das preparações mais fáceis e muito provavelmente as
menos dispendiosas. Assim foram entrando nas tradições portuguesas
os clássicos da doçaria sazonal: o arroz-doce, o pão-de-ló, a
aletria doce e tantos outros.
Ganhou renome na Europa a doçaria portuguesa, farta de açúcar e
ovos. Os requintes da doçaria rica seriam selecionados para as
grandes personalidades e ocasiões de pompa; e, para os indivíduos de
menor estrutura social, estariam indicados os bolinhos e biscoitos
que as congregações classificavam de doçaria pobre. Todas estas
guloseimas sedutoras para quem a elas não estava acostumado, eram
verdadeiras maravilhas que saíam das mãos prendadas das freiras.
Durante cerca de setecentos anos, este saber foi-se acumulando e
evoluindo com novos ingredientes, mil-e-uma experiências e a longa
prática das monjas que lhes dedicavam intermináveis horas de
trabalho, paciência e devoção, desafiando invejas e mascarando o seu
inevitável amor-próprio pela obra bem conseguida. Confrontadas com a
necessidade imperiosa de ganharem o seu pão de todos os dias,
algumas freiras começaram a tirar partido das suas "prendas" manuais
(costuras, bordados e rendas) mas, muito em especial, das receitas
da requintada doçaria pelas quais os seus conventos se tinham
tornado tão famosos.
E assim, e graças à investigação de muitos estudiosos que
"traduziram" as notas manuscritas de muitos arquivos dos mosteiros,
vieram saindo a público e ao domínio de muitas mãos leigas as
maravilhas dos doces conventuais.
in
Roteiro Gastronômico de Portugal
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